Maior acidente da Rodovia Anhanguera que matou 55 pessoas completa 20 anos

Categorias Notícias, Polícia

Incêndio envolvendo dois ônibus de romeiros Anápolis (GO) e uma carreta com combustível, em Araras (SP), ficou conhecido como uma dos piores acidentes rodoviários do país.

O maior acidente ocorrido na Rodovia Anhanguera (SP-330) e um dos piores do país completa 20 anos neste sábado (8). Na madrugada de uma terça-feira, após um feriado prolongado, 53 pessoas morreram no local e 35 ficaram feridas na tragédia que envolveu dois ônibus com 98 romeiros goianos, uma carreta de combustível e um caminhão carregado com bebida, em Araras. Duas pessoas morreram em hospitais.

Tragédia

O acidente aconteceu por volta da 3h, no km 179, entre as cidades de Araras e Leme (SP), em um trecho de subida.

Um caminhão carregado com 26 mil litros de diesel e 6 mil litros de gasolina saiu da pista, tombou no canteiro central e explodiu criando uma enorme cortina de fogo e fumaça, comprometendo a visibilidade da pista.

Na sequência, os dois ônibus, um em seguida do outro, que tentaram passar pela cortina de fumaça, também entraram no canteiro central sendo atingidos pelo fogo que em poucos minutos tomou os três veículos.

Um caminhão carregado com bebidas, que passava na pista do outro lado da rodovia, perdeu o controle, caiu no canteiro central a cerca de 100 metros do acidente e também foi incendiado.

Lembranças do resgate
O coronel do Corpo de Bombeiros Júlio Cesar Silva Brito, que era 1º tenente e comandante do posto de bombeiros de Araras na época, conta que nunca esqueceu a tragédia.

“Foi a ocorrência mais marcante da minha carreira. Foi difícil de ser atendida e quem esteve lá jamais esquecerá, principalmente a parte de tirar os corpos, não é uma imagem bonita de se guardar”, diz.

Ele lembra que a primeira preocupação foi socorrer as pessoas – que eram muitas – no meio do fogo, mas mesmo com todos os esforços, muitas morreram.

“Primeiro nós tiramos todas as vítimas que pudemos tirar. Depois iniciamos o combate ao incêndio e eu fiquei muito triste quando vi a quantidade de pessoas que estavam dentro dos ônibus. Demorou, passamos a noite toda combatendo o incêndio e só consegui ver quando amanheceu. Eu achei que a gente tinha conseguido tirar mais pessoas e acabou que deu um número elevado de vítimas fatais”, afirma Brito.

As proporções do acidente movimentaram unidades do Corpo de Bombeiros de toda a região e ainda pessoas que passavam pela rodovia. Pelo menos 100 bombeiros de Araras, Pirassununga, Piracicaba e Campinas participaram do resgate e do combate ao incêndio.

“O combate ao incêndio foi delicado. O caminhão teve várias explosões”, disse o coronel que lembra que o combustível vazou e escorreu pela canaleta do canteiro central em uma linha de fogo.

“Foi descendo pela caneleta e pegando fogo, incendiado, e queimou o caminhão que tinha tombado na frente. A hora que nós chegamos ele já estava morto.”

Os socorristas tiveram ajuda das pessoas que passavam pela rodovia e pararam para ajudar. “Me marcou também muita solidariedade , muita gente parando na estrada e ajudando os bombeiros. Pararam pessoas comuns e médicos, todo pessoal de saúde que passou ali na área parou para ajudar”, afirma Brito.

A Rodovia Anhanguera ficou interdita por um dia inteiro, mas foram necessárias 48 horas para a situação ser normalizada.

“Eu cheguei na minha casa depois de dois dias e meu fardamento estava cheirando tão forte que eu joguei ele todo no lixo, não tinha recuperação mais”, lembra o bombeiro.

O agente da Defesa Civil Lázaro Mariano Júnior, que atuava na Guarda Municipal, disse que passou um filme na sua cabeça enquanto relembrava do dia em entrevista ao G1.

“Parece que estou vendo as imagens. Quando nós chegamos, não tínhamos a mínima ideia do que seria, porque era um fogo enorme, eu nunca tinha visto. Aí que nós percebemos que estavam saindo pessoas daquele fogo e fomos ter noção que eram dois ônibus e um caminhão tanque que estavam em chamas”, conta.

Ele lembra que, na época, ninguém estava preparado para o tamanho da tragédia. A Defesa Civil de Araras não existia, foi criada meses depois porque o município entendeu a necessidade de ter uma equipe especializada. O órgão irá completar 20 anos em 2019.

A comunicação era precária, poucas pessoas tinham telefones celulares, a rodovia não era atendida por concessionária, não havia Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu). O Corpo de Bombeiros possuía apenas uma viatura e foi preciso pedir ajuda para as usinas de cana-de-açúcar da região que mandaram caminhões com água.

“Nós não tínhamos preparo para 53 óbitos. Não havia roupa adequada, luva, máscara…”, diz Júnior. “O meu turno terminava às 7h e eu fui para casa às 19h”.

Enquanto os funcionários das usinas e do corpo de bombeiros tentavam apagar o fogo, a Guarda Municipal fechou a pista e tentou socorrer as pessoas que iam saindo do incêndio e as colocando em local seguro no acostamento.

“As pessoas tentavam sair, desorientadas, porque estava escuro, só tinha a iluminação do fogo. Depois de umas duas horas, quando o fogo foi baixando é que a gente se deu conta dos veículos, o alumínio estava totalmente derretido e no clarear do dia começamos a fazer a retirada dos corpos”, lembra.

A quantidade de corpos e o estado em que eles estavam ainda são lembranças chocantes para os que participaram do atendimento ao acidente. Em muitos casos, era necessário identificar em meio às cinzas e ao metal retorcido o que eram pessoas.

O prefeito de Araras na época, Warlei Colombini, não quis que os corpos fossem colocados em sacos e mandou vir caixões das cidades vizinhas, que foram numerados e mais tarde foram levados em um caminhão refrigerado para o Instituto Médico Legal (IML) de Campinas (SP).

Romeiros

Quase todas as vítimas eram romeiros de Anápolis (GO) que voltavam de uma excursão a Aparecida do Norte (SP). Morreram também os motoristas dos caminhões e de um dos ônibus.

No total, 53 pessoas morreram no local – entre elas, muitas crianças – e pelo menos duas vítimas morreram depois em consequência das queimaduras em hospitais. Todos eram parentes, amigos ou vizinhos. Algumas famílias perderam muitos entes no acidente. Entre os motoristas dos quatro veículos, apenas o que dirigia o segundo ônibus sobreviveu.

Dezenas de romeiros feridos foram levados para hospitais de Araras e Leme e muitos foram transferidos depois para hospitais especializados em queimados em locais como Jundiaí (SP) e Anápolis (GO).

Os sobreviventes ficaram em alguergues da região esperando por parentes ou a identificação dos corpos, que foi complicada e demorada.

Depois foram levados para a base da Força Aérea de Pirassununga (SP), onde pegaram um avião da FAB para levar Anápolis que também levou alguns feridos.

Dificuldade de identificação

O trabalho de identificação das vítimas demorou dois meses. A situação dos corpos – todos carbonizados – dificultou o trabalho.

A identificação foi feita no Instituto Médico Legal de Campinas, por uma equipe de seis legistas e três dentistas, com ajuda de profissionais e laboratórios da Unicamp.

Os corpos foram levados para o IML em caminhões refrigerados. Os primeiros foram identificados com ajuda de objetos pessoais, depois em outros foram feitos exames da arcada dentária e houve 16 casos em que foi necessário fazer exame de DNA, uma prática ainda rara na época.

O trabalho foi coordenado pelo legista Fortunado Badan Palhares, que o classificou como “dificílimo”.

Investigação

A Polícia Civil de Araras abriu inquérito para apurar as causas do acidente. Euclides Aureliano de Oliveira, motorista de um dos ônibus, foi indiciado e condenado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, pela morte de 18 passageiros.

Em uma entrevista na época, o delegado Assis Cristofoletti disse que o inquérito apontou negligência e imprudência de Oliveira.

Equipes trabalharam por dois dias para liberar a rodovia Anhanguera depois que acidente vitimou 53 pessoas, a maioria romeiros, em Araras.
Durante a investigação, ele esteve em Anápolis ouvindo 72 pessoas, entre familiares das vítimas e sobreviventes do acidente.

Acidente está entre os maiores do país

O acidente com os romeiros em Araras está entre os mais graves do país. Foi o segundo maior do estado e depois dele nunca mais foi registrado um acidente rodoviário nestas proporções, com um número tão elevado de vítimas.

O maior acidente rodoviário do Brasil aconteceu em março de 1988, no sertão baiano, quando 67 pessoas morreram após um caminhão pau-de-arara capotar e cair em um precipício na cidade de Cachoeira (BA).

O maior acidente do Estado São Paulo aconteceu em 1960 em Guapiaçu e ficou conhecido como o acidente do Turvo. Um ônibus com estudantes de uma escola de São José do Rio Preto (SP) caiu no rio Turvo e vitimou 59 jovens que participavam de um coral e viajavam para fazer uma apresentação.

Com informações do G1

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