Mercado financeiro vê grave piora em cenário econômico com crise política

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No mercado financeiro brasileiro, a saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça piorou muito as expectativas para o cenário econômico. Moro era um dos pilares do governo de Jair Bolsonaro, tendo, desde a campanha eleitoral de 2018, emprestado a sua credibilidade ao discurso anticorrupção de Bolsonaro. No discurso de saída, o juiz federal colocou em dúvida a propagada de moralização política do governo ao acusar o presidente de inteferência e fraude, por supostamente ter falsificado sua assinatura no despacho que anunciava no Diário Oficial da União a demissão do diretor geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. Sem Moro e com a imagem trincada, Bolsonaro pode ter ainda mais dificuldade em conseguir apoio – tanto no Congresso Nacional quanto na sociedade – para medidas que pudessem acelerar a atividade.

O temor de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, também deixe o governo pela falta de perspectivas de colocar em prática as medidas e reformas que havia planejado faz os investidores correrem de ativos financeiros de risco nesta sexta-feira, 24. Às 14h55, o Ibovespa, principal índice acionário brasileiro, recuava 6,7%, para 74.337 pontos. Logo após a entrevista coletiva à imprensa em que Moro anunciou sua saída, a bolsa chegou a cair quase 10%. O dólar comercial, referência nas transações entre bancos e empresas, disparava 3,29%, vendido a 5,7097 reais.

Leia, a seguir, a opinião de gestores e especialistas sobre como a crise está afetando o horizonte para os investimentos.

Fabricio Taschetto, diretor de investimentos da ACE Capital
“Já há uns dois meses o clima estava negativo no mercado por causa da pandemia do novo coronavírus. Com o pagamento do auxílio emergencial, as contas públicas vão piorar muito. E por mais tempo do que o governo espera: esse benefício não vai deixar de ser pago daqui a dois ou três meses. A saída de Moro acelerou a degradação do cenário. É game over para o Brasil, a economia vai ficar agonizando por vários anos. O máximo que podemos fazer agora é tentar administrar o prejuízo.”

Renato Mimica, diretor da EXAME Research, o braço de análise de investimentos da EXAME
“O risco aumentou, como já refletido nos preços. Esse ruído político deve persistir no curto prazo, então esperamos volatilidade adicional. A hora pede mais conservadorismo. O real deve seguir depreciado ante o dólar, então é hora de reforçar os investimentos que se beneficiam do real mais fraco, como as ações de empresas exportadoras. Com juros longos subindo (e perspectivas de fiscal piorando também), achamos que papéis de duration muito longos e empresas com alavancagem maior sofram mais no curto prazo.”

Luis Sales, analista da Guide Investimentos
“O que estamos vendo é o aumento de percepção de risco do Brasil, que já está lidando com crises econômica, de saúde, e agora politica. Talvez haja uma investigação sobre Bolsonaro que poderia levar a uma eventual saída do presidente ou a uma indisposição política para dar prosseguimento às reformas. Tal qual o Moro, Guedes é um ministro técnico. Já houve atrito em relação a Guedes, e, se houver interferência no ministério da Economia, o estresse de mercado vai aumentar. O mercado se estressou pela falta de visibilidade.”

Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus
“A saída de Moro representa a quebra da democracia. É como se o Brasil continuasse como terra de ninguém. O Moro é um cara muito bem visto por todo o trabalho que fez na Lava Jato. Agora, a gente vê, claramente, o trabalho dele sendo jogado no lixo. A fala dele mostrou alguma coisa de dentro do governo que a gente não sabia. O mercado se abala muito com isso. O Bolsonaro foi eleito devido ao time que montou, com Moro e Guedes. Eram ministérios técnicos, agora tudo é política novamente. Mostra que tudo que fez com que o Bolsonaro fosse eleito não está sendo cumprido. Não tem como manter investimentos em um país como esse. E tudo isso acontecendo em meio à pandemia.
O mercado começa a especular sobre a possibilidade de Guedes pedir demissão. No começo da semana, foi anunciado o pacote de recuperação econômica pelo ministro da Casa Civil, e o ministro mais importante, que é o Guedes, não estava. Então, parece que o Guedes está ficando de escanteio. Não está conseguindo trabalhar. Pode ser que ele esteja passando pelo mesmo momento de insatisfação que estavam Moro e Mandetta.”

Jorge Junqueira, sócio fundador da Gauss Capital
“O mercado já está se questionando se Guedes pode sair também. É muito negativo quando o símbolo da luta que o povo elegeu [combate à corrupção] sai. Na verdade, não só saiu como também fez um discurso forte sobre coisas [ingerências] que estavam acontecendo. Isso intensifica o cuidado de gestores e investidores de olhar mais no detalhe as implicações. Temos que entender qual vai ser o caminho daqui para frente: se veremos um desmonte contínuo do alicerce do governo ou se vão ser tomadas ações para corrigir essa saída pontual. É bom lembrar também que hoje é sexta-feira e os investidores preferem montar posições para se proteger da volatilidade do fim de semana.”

Fabrizio Velloni, Frente Corretora
“A saída de Moro é uma sinalização complicada, que pode implicar em redução de fluxos de capitais para o Brasil. Em relação ao México, Turquia e África do Sul, o país já apresentava a pior relação entre risco e retorno. Agora, esse cenário se deteriora com a notícia de que o governo não consegue manter os ministros nem a base aliada ao seu lado e que o presidente pode estar querendo controlar instituições e ser intervencionista em cima de ministros e mercado. Vamos ter pressão pesada no câmbio com a expectativa de menos fluxos de capitais e de investimentos na parte de infraestrutura. O termômetro vai ser a próxima reunião do Copom. Até então, o mercado vinha discutindo a possibilidade de queda de 0,75 ponto percentual na taxa de juros, mas isso pode deixar o retorno menos interessante ainda para investidores. Temos que acompanhar o papel do Banco Central.”

Roberto Indech, estrategista-chefe da Clear Corretora
“O mercado sempre antecipa movimentos e sinalizações, sejam elas financeiras ou políticas. A saída do ministro Sérgio Moro da pasta da Justiça é mais uma notícia negativa em meio a outros graves problemas gerados a partir do agravamento do impacto da crise do coronavírus. Instabilidade gera volatilidade. A recomendação para os investidores é de cautela até que o presidente Bolsonaro nomeie um novo ministro para a pasta da Justiça, quando teremos uma sinalização mais clara da diretriz que o governo irá seguir”.

Jorge Junqueira, sócio fundador da Gauss Capital
“O mercado já está se questionando se Guedes pode sair também. É muito negativo quando o símbolo da luta que o povo elegeu [combate à corrupção] sai. Na verdade, não só saiu como também fez um discurso forte sobre coisas [ingerências] que estavam acontecendo. Isso intensifica o cuidado de gestores e investidores de olhar mais no detalhe as implicações. Temos que entender qual vai ser o caminho daqui para frente: se veremos um desmonte contínuo do alicerce do governo ou se vão ser tomadas ações para corrigir essa saída pontual. É bom lembrar também que hoje é sexta-feira e os investidores preferem montar posições para se proteger da volatilidade do fim de semana.”

Fabrizio Velloni, Frente Corretora
“A saída de Moro é uma sinalização complicada, que pode implicar em redução de fluxos de capitais para o Brasil. Em relação ao México, Turquia e África do Sul, o país já apresentava a pior relação entre risco e retorno. Agora, esse cenário se deteriora com a notícia de que o governo não consegue manter os ministros nem a base aliada ao seu lado e que o presidente pode estar querendo controlar instituições e ser intervencionista em cima de ministros e mercado. Vamos ter pressão pesada no câmbio com a expectativa de menos fluxos de capitais e de investimentos na parte de infraestrutura. O termômetro vai ser a próxima reunião do Copom. Até então, o mercado vinha discutindo a possibilidade de queda de 0,75 ponto percentual na taxa de juros, mas isso pode deixar o retorno menos interessante ainda para investidores. Temos que acompanhar o papel do Banco Central.”

Roberto Indech, estrategista-chefe da Clear Corretora
“O mercado sempre antecipa movimentos e sinalizações, sejam elas financeiras ou políticas. A saída do ministro Sérgio Moro da pasta da Justiça é mais uma notícia negativa em meio a outros graves problemas gerados a partir do agravamento do impacto da crise do coronavírus. Instabilidade gera volatilidade. A recomendação para os investidores é de cautela até que o presidente Bolsonaro nomeie um novo ministro para a pasta da Justiça, quando teremos uma sinalização mais clara da diretriz que o governo irá seguir”.

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